sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O DESCARTE DE PESCADO NA PESCA COM REDE DE CERCO NO BAIXO RIO SOLIMÕES, AMAZÔNIA CENTRAL

Boa noite,
Segue um artigo muito interessante sobre as características do descarte de peixes como impacto da pesca.

Por Vandick da Silva BATISTA1 & Venâncio Silva FREITAS

O descarte de pescado na pesca com rede de cerco no baixo rio Solimões, Amazônia Central

RESUMO: O descarte de parte da captura é pratica comum em pescarias de todo o mundo. A avaliação do impacto da pesca requer conhecer as características deste descarte e é útil para a identificação de itens utilizáveis comercialmente. Foram realizadas nove excursões de acompanhamento na região do baixo rio Solimões, em barcos de pesca comercial com redinha, durante o primeiro semestre de 1997, totalizando 18 barcos acompanhados, obtendo-se dados de 84 lances. A bordo foi preenchido um questionário com: data, hora do lance, clima, nome da embarcação e do encarregado, local de pesca, tipo de utensílio usado na captura, tamanho e malha da rede, captura por espécie em kg. Há variação no percentual descartado ao longo dos meses, havendo menor rejeição nos meses de março e abril. Descartes superiores a 20% ocorrem até fevereiro, voltando a repetir o padrão em maio. Itens não descartados, ocasionalmente descartados e sempre descartados foram determinados. Os tamanhos médios (comprimento furcal) das capturas descartadas foram inferiores aos da capturas conservadas para o apapá, aracu, mapará, pacu e peixe-cachorro. Porém, não apresentaram diferenças significativas para o aracu, a branquinha, o cubiu e a sardinha. Os pescadores utilizam uma rede para seleção do pescado grande, a “escolhedeira”, permitindo aos peixes pequenos escaparem ainda com vida. Curimatã, matrinchã, pescada, cará e tucunaré grandes ou pequenos não são descartados devido à ampla aceitação destes produtos nos mercados locais. Algumas espécies rejeitadas, como apapá, cubiu, branquinha foram comuns nas capturas, apresentando potencial para uso alternativo.

PALAVRAS-CHAVE: peixes, pesca, Amazônia, descarte, rio Solimões.

BATISTA, V.S.; FREITAS, V.S. O descarte de pescado na pesca com rede de cerco no baixo rio Solimões, Amazônia Central. Acta Amaz., Manaus, v. 33, n. 1, p. 1 – 17. Disponível em: http://acta.inpa.gov.br/fasciculos/33-1/PDF/v33n1a12.pdf. Acesso em: 09/12/2010.


Boa leitura e até a próxima!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Um rio sadio não tem preço, por Stephen Leahy - IPS

Nagoya, Japão, 25/10/2010 – As represas sobre os rios podem gerar eletricidade, mas para construí-las frequentemente são sacrificadas pescas da alta qualidade, afirmam especialistas. “É muito difícil avaliar a pesca continental em dólares, porque representam muito mais do que o valor do pescado desembarcado no porto”, disse Yumiko Kura, do WorldFish Center (Centro Mundial de Pesca), em Phnom Penh. Yumiko é coautora do informe “Colheita Azul: Pesca Continental como Serviço Ambiental”, que destaca a importância destas existências nas dietas, especialmente infantil, não apenas quanto à proteína que fornecem, como também em matéria de micronutrientes, entre eles vitamina A, cálcio, ferro e zinco.

“Estudos detalhados realizados em Bangladesh, por exemplo, mostram que o consumo diário de pescado pequeno contribui com 40% das necessidades diárias de uma família de vitamina A e 31% de cálcio”, segundo o  informe apresentado no dia 23 na 10ª Conferência das Partes do Convênio sobre Diversidade Biológica, que  acontece até o dia 29 em nesta cidade. Além disso, o estudo indica que geram mais de 60 milhões de empregos  em tempo integral e parcial na pesca e em outras atividades como o processamento, e que metade destes  trabalhos é feita por mulheres.

Um sistema fluvial como o do Rio Mekong conta com uma das reservas pesqueiras mais produtivas do mundo,  em boa parte porque há poucas represas e porque mantém a maior parte de seus pântanos, disse Yumiko à IPS.
Os pescadores do Mekong capturam mais de 500 espécies. Sua própria diversidade mantém a saúde do Rio, e  cerca de 22 milhões de pessoas no Camboja e Laos dependem dessa abundância. Por outro lado, os sistemas  fluviais dos países industrializados são quase desertos biológicos, com poucas espécies, segundo um estudo  divulgado este mês na revista especializada Nature.

Paradoxalmente, os países ricos empregam enormes quantidades de concreto para obter energia e controlar  inundações, dizimando as capacidades naturais dos rios de fornecer água limpa e alimento, diz o estudo. “O que nos deixou de boca aberta é que algumas das maiores ameaças mundiais estão nos Estados Unidos e na Europa”,  afirmou à IPS para uma matéria anterior Peter McIntyre, coautor do informe da Nature e zoólogo da Universidade  de Wisconsin-Madison,  nos Estados Unidos.

Os peixes também servem como importantes vínculos entre os ecossistemas. Os nutrientes e a matéria orgânica de seus  ovos, cadáveres e excrementos ajudam a manter a produção de algas, larvas de insetos e outras espécies de  peixes em rios e lagos, segundo o relatório compilado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente  (Pnuma) e o WorldFish Centre. Quando as populações de peixes diminuem, pode haver sérios efeitos colaterais  para outros organismos, disse Jacqueline Alder, do Pnuma.

A morte em grande escala de peixes corégonos-de-artedi no Lago Mendota, nos Estados Unidos, provocou  mudanças na composição do plâncton, reduziu a quantidade de nutrientes e também a biomassa das algas.
“Ao contrário dos oceanos, as águas continentais são muito vulneráveis e as mudanças podem acontecer muito  rapidamente”, disse Jacqueline à IPS. O informe alerta que, apesar de mais de 40 anos de produção mundial  constante, estão ocorrendo rápidas mudanças ambientais que colocam em risco a viabilidade das futuras populações de peixes, bem como o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

As represas, a agricultura insustentável e as grandes extrações de água para fins industriais, junto com a  contaminação e a descarga de esgoto, têm impactos significativos sobre os sistemas fluviais, segundo o estudo.
O Japão tinha pescas continentais produtivas, mas agora restam muito poucas, quase totalmente por culpa das  construções, disse Yumiko, que é japonesa. Nas últimas décadas, muitos dos rios do país foram cercados com  concreto, em uma tentativa de olhar curto para controlar as inundações e manter os canais de transporte. Os rios  precisam poder fluir para o mar, permitindo que a vegetação costeira e os pântanos os mantenham sãos e  produtivos, acrescentou.

A represa de Pak Mun, construída no começo da década de 1990 em um afluente do Rio Mekong, na Tailândia,  causou uma redução entre 60% e 80% nas capturas. Seus defensores disseram que a nova reserva criada pela  represa produziria 220 quilos de peixes por hectare, mas chegou-se a apenas dez. Desde 2001, é aplicada uma  política pela qual são abertas as comportas da represa temporariamente, o que devolve cerca de 130 espécies ao  Rio Mun, reduzindo o impacto da represa nas existências pesqueiras.


Disponivel:http://www.agua.bio.br/pagina_9.htm
Acesso: 30/11/2010


O negócio da água potável – WaterAid

O mundo está começando lentamente a entender que estamos em meio a uma séria crise da água em nível planetário e, portanto, da saúde pública. Atualmente, 884 milhões de pessoas não têm acesso ao fornecimento seguro de água doce, enquanto a ONU estima que até 2030 mais da metade da população mundial viverá em áreas com alto risco de escassez.
Não surpreende que o mundo empresarial esteja cada vez mais consciente de que a crescente demanda está criando um futuro incerto. A água agora se converteu em um grande negócio. Existe uma interligação entre o acesso das pessoas a água, as empresas com interesse particular na água e as que centram sua atenção nos mercados emergentes.
Os negócios dependentes do uso da água em operações diretas e por meio de redes de fornecimento - em particular às companhias multinacionais - estão reconhecendo de maneira crescente os riscos políticos, sociais, econômicos e ambientais vinculados à água. Em última instância, se as pessoas não tiverem acesso a água devido às atividades de uma empresa, coloca-se em risco sua reputação e sua autorização para operar.
De fato, vimos uma proliferação de campanhas relacionadas com a água que algumas das principais firmas do setor realizam. Estas campanhas têm temas comuns: destacam o trabalho que as empresas realizam para minimizar a quantidade de água utilizada na produção e baixar o nível de contaminação provocado pelos processos industriais, e anunciam em alto e bom som que estão gastando dinheiro para garantir que mais pessoas tenham acesso a um fornecimento seguro.
Os compromissos assumidos por estas empresas merecem aplauso. Porém, diante da crua realidade de que quase um bilhão de pessoas vivem sem água segura, é claro que os empresários devem rever seus planos e suas atividades com a utilização deste recurso.
As campanhas não são suficientes. O setor privado, os governos e a sociedade civil devem ampliar seus esforços para garantir que os mais pobres do mundo tenham um acesso justo a água. O impacto da escassez de água nos países em desenvolvimento é imenso, particularmente nas áreas de saúde infantil, educação das meninas, e bem-estar e sustento das mulheres.
Nas áreas urbanas as mulheres podem passar horas em filas para conseguir água em uma torneira pública ou se veem diante da necessidade de obter água contaminada ou de vendedores, que cobram altos preços, ou de outras fontes duvidosas. Frequentemente suja e insegura, essa água pode ser letal.
Este ano, uma análise da revista The Lance aponta a diarreia como o maior assassino de crianças na África subsaariana; 90% dos casos de diarreia são causados por água insegura e pobres instalações sanitárias, e matam mais crianças do que a aids, o sarampo e a malária juntos.
Com tais consequências fatais, não é, absolutamente, suficiente as empresas assumirem a questão por meio de sistemas de manejo razoável do recurso (que deveria ser uma prática padrão) ou que invistam em esquemas de fornecimento de água para a comunidade acreditando que com isso cumprem suas responsabilidades. A situação exige que as empresas, os doadores, as organizações da sociedade civil e os governos se unam para enfrentar e mitigar os riscos compartilhados.
Existem muitos obstáculos que impedem uma visão de um mundo onde todos tenham acesso a água e a instalações sanitárias. Essas obstruções vão desde os fracassados reguladores e a falta de aplicação das leis, de problemas de capacidade e recursos, de coordenações ineficientes no financiamento, até a carência de dados disponíveis e confiáveis sobre as bacias hidrográficas.
Estas questões apresentam desafios para as companhias que pretendem conservar autorização legal e social para funcionar. E também - o que é mais importante - criam crescentes dificuldades para os setores mais pobres do mundo.
Somente com a ampliação de seu enfoque e uma abordagem ativa dos problemas nas áreas de risco compartilhado, por meio de proposições cooperativas e integradas, as empresas poderão ter capacidade de dar, verdadeiramente, uma contribuição duradoura para enfrentar a crise mundial da água. Envolverde/IPS

* Duncan Wilbur é um dirigente da WaterAid, organização não governamental dedicada a conseguir acesso a água limpa e saneamento adequado (http://www.wateraid.org). Este artigo é parte de uma série de artigos e entrevistas sobre a responsabilidade social e ambiental das empresas patrocinada por Anheuser-Busch InBev.
Disponivel : http://www.agua.bio.br/pagina_6.htm Acesso:30/11/2010





ÁGUA E AGRICULTURA

"A agricultura deve produzir mais alimentos por litro de água de irrigação"

As maiores perdas de água no mundo estão na irrigação. Foto: Antonio Jose do Carmo/AE
Apesar de ser, de longe, o setor que mais consome água, a agricultura de irrigação tende a crescer algo em torno de 15% a 20% nos próximos 30 anos, atendendo à demanda por mais alimentos, de uma população projetada em 8 bilhões de pessoas, além de responder à demanda econômica por produtos agrícolas de maior valor agregado. Uma pessoa adulta precisa de 4 litros de água por dia para beber, mas para produzir seu alimento diário são necessários de 2 a 5 mil litros. 
Na média mundial, cerca de 70% dos recursos hídricos disponíveis atualmente são destinados à irrigação, contra apenas 20% para a indústria e menos de 10% para abastecimento da população (higiene e consumo direto). Nos países desenvolvidos, o porcentual de uso da água para irrigação é ainda maior, chegando próximo dos 80%. No entanto, mesmo lá, apenas 1% das áreas irrigadas adotam o método de gotejamento, um dos mais eficientes na relação alimento por litro de água utilizada, uma vez que reduz a possibilidade de evaporação, segundo Sandra Postel, diretora do projeto Global Water Policy, de Massachusetts (EUA).
“Se a agricultura conseguir aumentar a produtividade da água, a pressão sobre os preciosos recursos hídricos pode ser reduzida e a água seria liberada para outros setores”, afirma Kenji Yoshinaga, diretor da Organização para Agricultura e Alimentação (FAO), agência das Nações Unidas (ONU). “Esperamos que o 3º Fórum Mundial da Água, de Kyoto, avance na discussão da agricultura e gestão da água e coloque o tema na agenda política e econômica".
De acordo com os cálculos de Yoshinaga, a simples melhora de 1% na eficiência do uso da água de irrigação, nos países em desenvolvimento de clima árido, significaria uma economia de 200 mil litros de água, por agricultor, por hectare/ano. O suficiente para matar a sede de 150 pessoas, no período.
O especialista da FAO diz que as áreas irrigadas, nos países em desenvolvimento, devem aumentar dos atuais 202 para 242 milhões de hectares. Só na África, o potencial é de 40 milhões de hectares, dos quais apenas 12 estão sendo aproveitados. Nos países desenvolvidos, o total irrigado fica em torno dos 50 milhões de hectares, mas o potencial de expansão é menor, porque a agricultura já é intensificada. Por isso, a escolha da tecnologia mais adequada e, sobretudo, a promoção de métodos de irrigação que evitam o desperdício é fundamental para atender à demanda por alimentos, com o mínimo de impactos ambientais, como a degradação dos solos, dos aqüíferos ou os processos de salinização.
Em muitos perímetros irrigados, a baixa qualidade das águas de superfície levou os agricultores a optar pelas águas subterrâneas. Porém, o uso descontrolado está levando ao rebaixamento dos aqüíferos, em alguns casos (incluindo áreas dos Estados Unidos), no impressionante ritmo de 1 a 3 metros por ano. Para evitar problemas, a FAO sugere, num relatório divulgado em Kyoto, a adoção de tecnologias mais eficientes do que a tradicional inundação de campos ou o uso generalizado de aspersores e pivô central (os dois métodos mais utilizados no Brasil).
“Não há uma única solução para manter a segurança alimentar quando a água é escassa”, diz o documento da FAO. "Todas as fontes de água – chuva, canais de irrigação, águas subterrâneas e águas servidas – são importantes. Todas podem ser desenvolvidas em condições adequadas. A melhor combinação de uso do solo, tipo de cultivo e fonte de água deve responder às características de cada ecossistema”.

Liana John do Jornal O Estado de São Paulo
Disponivel: http://www.agua.bio.br/botao_d_N.htm Acesso: 30/11/2010

ÁGUA NO UNIVERSO E NA TERRA

Pela espectrometria, através da cor e luz emitida, a água já foi identificada em grande parte do universo, em forma de vapor ou de gelo, na atmosfera de algumas estrelas, nas nuvens moleculares interestelares, em vários satélites de gelo do sistema solar, em cometas e em alguns planetas.
"Miranda, uma das luas de Júpiter, é uma grande esfera de gelo"
"Os famosos anéis de Saturno são formados também por partículas de gelo"
"As sondas Vega e Giotto confirmaram a presença de água no Cometa Halley"

ORIGEM DA ÁGUA NO UNIVERSO
Astrônomos norte-americanos descobriram uma nuvem gigante de vapor d’ água, que seria 20 vezes maior do que qualquer outra já mencionada na Via Láctea. A nuvem se encontra na nebulosa de Órion, cerca de 1.500 anos-luz distante do sol. Segundo os cientistas, a nuvem parece funcionar como uma fábrica de água gigante e poderia ajudar a explicar a origem da água do sistema solar. Ela foi detectada por Martin Harwit da Universidade Cornell, e sua equipe, por meio do telescópio espacial ISO, da NASA - EUA. Medições feitas pelos cientistas sugerem que a nuvem produz por dia água suficiente para encher os oceanos da Terra 60 vezes.
Origem da Água na Terra 
Fortes evidências de água líquida na ou perto da superfície da Terra há 4,3 bilhões de anos atrás, foram apresentadas por uma equipe de cientistas da UCLA e Curtin University of Technology em Perth, Autrália no jornal Nature.
T. Mark Harrison, professor de geoquímica na UCLA, acha provável que a vida começou sobre a terra potencialmente por volta de 4,3 bilhões de anos atrás, porque todas as três condições necessárias para a vida existiam naquele momento. Diz “Havia fonte de energia: o sol; uma fonte de minerais: compostos orgânicos complexos de meteoritos ou cometas; e nossa inferência de que existia água líquida na ou perto da superfície da Terra. Dentro de 200 milhões de anos após a formação da Terra, todas as condições para a vida na Terra parece terem se encontrado”.
Cientistas analisaram uma rocha da Austrália Ocidental que tinha mais de 3 bilhões de anos, com um “ion microprobe” de alta resolução da UCLA – um instrumento que permite aos cientistas datar e descobrir a composição exata dos exemplares. O “microprobe” lança um raio de íons – átomos carregados – num exemplar, deixando sair dele seus próprios íons, que são analisados num “spectrometer” de massa, sem destruir o objeto. Logo os pesquisadores descobriram que, já que a rocha estava depositada cerca de 3 bilhões de anos atrás, contém grãos de mineral antigos – “zircons” – que seriam muito mais antigos; dois dos “zircons” tinham 4,3 bilhões de anos e cerca de uma dúzia de outros foram encontrados com mais de 4 bilhões de anos. A Terra tem 4,5 bilhões de anos.
Portanto as medições sugerem que havia água líquida na superfície da Terra há 4,3 bilhões de anos atrás. De acordo com pesquisa patrocinada pela National Science Foundation e o Center for Astrobiology da NASA.

Disponivel: http://www.agua.bio.br/botao_e_D.htm Acesso:30/11/2010

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

China: poluição deixa água de lago fluorescente

O rio Tai, centro da antiga "terra do peixe e do arroz" na China, sucumbiu este ano à poluição advinda do lixo industrial e agrícola. Matéria publicada neste domingo no jornal The New York Times diz que uma cianobactéria tóxica deixou o lago verde fluorescente. Ao menos dois milhões de pessoas que usam as águas do lago para plantar ou cozinhar ficaram sem sua principal fonte de água.

A poluição alcançou níveis de epidemia na China, afirma o diário americano. O governo chinês tem tentado resolver o problema impondo cotas de emissão de poluentes, incentivando a eficiência energética, punindo fiscais corruptos que acobertavam poluidores e plantando bilhões de árvores ao longo do país.
Contudo, o problema da poluição na China é uma questão política, afirma o The New York Times. O governo estaria mais interessado em manter os grandes índices de crescimento econômico e têm pouco entusiasmo para resolver questões ambientais.
De acordo com o jornal americano, o lago Tai é o terceiro maior do país. Ele provêm aos povos que habitam suas margens peixes e água para irrigação de campos de arroz. No entanto, desde 1950 o lago tem sofrido com a poluição. As autoridades locais têm construído barragens e represas para prover irrigação a plantações e controlar as inundações. Isto interrompeu a circulação da água e a concentração de poluentes aumentou, afetando os níveis de oxigênio necessários para os peixes sobreviverem.
Mesmo neste estado de degradação, o rio Tai proviu um habitat ideal para a expansão da indústria química chinesa, que cresceu principalmente nos anos 1980. De acordo com o The New York Times, estas empresas fizeram do lago fonte de água, mas também destino de seus dejetos. Os canais do Tai também foram fundamentais para escoar a produção para o porto de Xangai.
Com o apoio do governo local, a margem norte do Tai tornou-se casa de 2,8 mil indústrias. As empresas transformaram o local e, na metade da década de 1990, os impostos sobre os lucros da indústria representavam 80% da receita do governo local, segundo relatório da prefeitura de Yixing.
O lago Tai já teve problemas antes, mas, desta vez, de acordo com análises da Administração Estatal de Proteção Ambiental chinesa, a quantidade de cianobactérias explodiu a níveis nunca atingidos no passado. Muitas partes do lago possui uma espessa e mal cheirosa cobertura, que deixou 2,3 milhões de pessoas de Wuxi, a maior cidade ao norte do Tai, sem poder beber suas águas por dias.
Autoridades locais iniciaram uma ação chamada de "desastre natural". Mas a mídia local mostrou que muitas fábricas ainda jogam detritos no lago. Cidades vizinhas a Wuxi criaram comportas para evitar a contaminação de suas regiões. Isto só provocou o aumento do tráfego de embarcações e, depois, diminui a circulação das águas do lago. O problema só melhorou quando as autoridades direcionaram as águas do rio Yangtze para o lago.
As autoridades das cidades de Yixing e Zhoutie se reuniram e o chefe da província de Jiangsu prometeu limpar o Tai, mesmo que isto significasse diminuir em 15% a economia da província. Alguns habitantes às margens do lago dizem já ver alguns peixes nadando de novo por lá.

Disponivel :http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI1988823-EI10496,00-China+poluicao+deixa+agua+de+lago+fluorescente.html
Acesso:25/11/2010

A água engarrafada é melhor que a água de torneira?


Vários estudos ao redor do mundo apontam que nem sempre a água que bebemos das garrafas e galões tem qualidade melhor que a água que recebemos do abastecimento público, seja com contaminações provenientes das fontes ou até mesmo dos resíduos químicos das embalagens.
Nem toda a água que compramos em garrafas é mineral, ou seja, aquela que tem teor de vários minerais presentes na água e pela sua pureza e riqueza de minerais não podem receber nenhum tipo de tratamento. As garrafas e galões podem ter água natural (água potável que não recebe tratamento) ou até mesmo água potável proveniente da rede de abastecimento público, a mesma que recebemos da nossa torneira.
Ao comprarmos água engarrafada, temos que prestar atenção nas informações descritas nos rótulos para sabermos a sua procedência e também atentarmos para condições de armazenamento. A água engarrafada pode perder sua qualidade ou até mesmo ser contaminada se a indústria envasadora não seguir as leis e normas rígidas de segurança e higiene. Isto pode acontecer quando as fontes de água não estão protegidas e a sua vulnerabilidade pode ser agravada pela degradação ambiental, equipamentos mal cuidados, vasilhames sujos (principalmente os retornáveis, como os galões de 20 litros). Lembre-se: antes de ir para sua casa, o mesmo vasilhame pode ter passado por diversos outros lugares, casas, escritórios, consultórios ...
A extração de água para engarrafar pode ocasionar alterações das condições de carga e recarga dos sistemas aqüíferos, além de agravar problemas sociais em localidades onde a água potável não chega para todos.
Outra questão importante quanto ao consumo de água engarrafada, é o meio ambiente. Imagine a quantidade de plástico que é descartada na natureza e também a quantidade de gases que são liberados na atmosfera para a produção do PET. Veja alguns números: a produção de 1 quilo de plástico PET requer 17,5 kg de água e resulta em emissões atmosféricas de 40 gramas de hidrocarbonos, 25 gramas de óxidos sulfúricos, 18 gramas de monóxido de carbono, 20 gramas de óxido de nitrogênio e 2,3 kg de dióxido de carbono. Só em termos de uso de água, a quantidade gasta na fabricação das garrafas é muitas vezes maior do que a quantidade a ser envasada.
E quanto ao transporte e à distribuição, a grande diferença entre a água engarrafada e a água da torneira vem da queima de combustíveis fósseis no seu transporte por caminhão, trem ou navio, em lugar de tubulações.
Portanto, ao comprar água engarrafada pense nas suas implicações e não se esqueça que existem bons serviços de abastecimento público de água e que em Belo Horizonte recebemos uma água de boa qualidade. Entretanto, é importante lembrar que como temos o hábito de armazenar a água em reservatórios domiciliares, a limpeza periódica e cuidados com a higiene dessas caixas de água auxiliam a garantia da qualidade da água até as torneiras.
Pesquise, pergunte e leia, para entender e garantir seus direitos como cidadãos, pois as companhias que prestam o serviço de abastecimento público têm que apresentar relatórios periódicos quanto à qualidade da água que oferecem. As águas engarrafadas são consideradas como alimento, então as indústrias envasadoras devem ser fiscalizadas pela ANVISA. Fique atento!
Além disto, a legislação que rege a extração de água para engarrafar precisa de urgente atualização. Mas isto é assunto para outro texto...
Acesso:25/11/2010